Do prostíbulo partidário à praça pública
Na velha Guarda, terra fria mas altiva,
erguem-se ainda barões de sombra esquiva.
Raimundos bafientos, senhores da treta,
mandam na praça como se fosse peta.
Foram décadas a sugar até ao tutano,
feito vampiro com riso profano;
fizeram da cidade um solar de família,
onde o povo paga e a corte se perfilha.
O Amaro, marquês do salto oportuno,
fez da cidade trampolim soturno:
pisou a terra, gastou-lhe a paciência,
e partiu ligeiro, “europeu” de conveniência.
Os Raimundos, velhas raposas de missa,
continuam, isidricamente, na cobiça;
dão ordens ao Chaves Latão, boneco de feira,
que abana a cabeça na cena caseira.
E lá vai o Prata da Junta, fantoche afinado,
dançando conforme o fio lhe é dado;
enquanto o povo, serrano e fiel,
suspira da serra justiça e papel.
Mas a Guarda não é baronia de palha,
nem feudo de mesa, nem corte de mortalha!
É cidade de homens livres, de sangue quente,
que não tolera senhorio insolente.
Ó barões da treta, ó sombras bafientas,
guardem os vossos jogos, as falas lentas;
porque a Guarda, altiva, dura e verdadeira,
há de quebrar-vos a corda fantochesca e traiçoeira.
No prostíbulo do PSD reina a farsa e a bebida,
compra-se honra a retalho, vende-se a pátria perdida;
Raimundos e Amaros querem fazer da Guarda meretriz,
mas o povo não se deita com barões de chafariz.
Já todos foram inimigos fidagais,
cuspiam-se fel nos becos, em tempos iguais;
mas hoje, sem vergonha, sem cautela,
querem todos comer da mesma tijela.
