Foi estrela cadente na constelação laranja, mas não deixou brilho: apenas um enorme estoiro. Imposto como quem se impõe um remendo a calças rotas, ignorando os militantes, os votos e até a mais básica decência democrática, foi brindado com a maior humilhação eleitoral do PSD na história recente da Guarda. Uma derrota tão retumbante que até as pedras do nosso castelo coraram de vergonha alheia.
Mas eis que o avental ressuscita. Depois de falhado o trono maior, eis que se atira ao cadeirão da Junta de Freguesia da Guarda. Um degrau abaixo, um sonho reciclado, uma obsessão menor, mas não menos tola. Dizem que é o segundo sonho de menino. Talvez. Mas o que é certo é que os guardenses não são sacos de areia para os punhos de vaidade de um político que nunca passou sequer pela eleição de um administrador de condomínio.
Sem ideias, sem chama, sem norte nem estrela, apresenta-se agora à porta da Junta como quem quer governar um navio com um leque e um livro de provérbios. Um homem de mão e mente vazia, cuja gestão deixou mais marcas no desinteresse público do que em qualquer caderno de encargos. Não deixou obra, não deixou visão — deixou o PSD em ruínas e um município em estado de pasmo à beira do desgoverno.
E agora, em nome da sede que nunca matou com competência, quer mais uma vez convencer o povo da Guarda a emprestar-lhe o volante. Quer ser presidente, nem que seja da associação de moradores do seu ego. Não pela freguesia, mas pela vaidade. Não pelas pessoas, mas pela ambição pessoal que nem o espelho já leva a sério.
Mas cuidado, gente da Guarda. O homem do avental não vem com projeto — vem com ressabiamento. Vem com vontade de revanche, não com visão de futuro. E uma Junta de Freguesia não é pousio para vaidades falhadas, nem é trampolim para sonhos pequenos de homens grandes em estatuto mas pequenos em substância.
A Guarda merece mais do que fantasmas do passado com sede de palco. Merece quem a conheça, a ame e a respeite. Não quem dela faça palco para o segundo ato de um fracasso anunciado.
Amém, e que o povo tenha memória.
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