Oh glória tardia, que assoma em rosto gasto!
Vós que de tacho em tacho fizestes estrada e lasto,
Agora ergueis a voz — que esteve muda e calada —
Como se a crítica vos purgasse a caminhada.
Trinta anos de cadeira, sem obra nem suor,
Mas eis que no ocaso vos ergueis com ardor!
Criticais o que antes nunca ousastes tocar,
E fingis que nunca vos vimos a pactuar.
Dizeis que falta isto, que aquilo está errado,
Mas fostes vós quem deixou tudo emperrado.
Quando havia poder, reinava o vosso silêncio;
Hoje, sem lugar, vinga-se o ressentimento.
Mas não vos iludais: a Guarda tem memória.
Não apaga tão cedo quem manchou-lhe a história.
E enquanto uns fingem que nunca por cá andaram,
Outros — como eu — guardam, lutam e não se calaram.
Aqui fala-se claro, sem perfume nem verniz.
E quem quiser respeito, que dê exemplo feliz.
Porque não basta apontar o dedo e tossir moral:
É preciso ter obra, nome limpo — e um ideal.
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