Monteirinho, o afilhado dos Raimundos, deserdado com razão.
Monteirinho, ó nome de herdeiro frustrado,
Que do tacho viveu, mas nunca foi honrado.
Cresceu à sombra dos Raimundos — qual parreira de estufa —
Mas nem vinho deu, só vinagre e bazófia de bufas.
O PS que o criou hoje já nem o quer à mesa,
Pois sabe que do rapaz pouco sobra, pouca empresa.
De gesto fino e palavra sem rasgo,
Tem na folha de serviço um grande e rotundo vácuo.
Deserdado está, e bem, que o povo não é burro:
Conhece os que servem — e os que só vêm pelo murro.
E Monteirinho, o tal que foi feito à medida,
Hoje é peso morto de lista, promessa já vencida.
Cuidado, senhores da máquina e do cartão,
Que o povo já não engole cada invenção.
O alcaide aqui escreve com o punho da razão:
Quem vive de favores, não tem pátria — tem patrão.

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