Depois de 24 anos, sim, vinte e quatro! de sumiço,
Governando com o zelo d’um rato submisso,
Com mais silêncio que freira em tentação,
E ousadia de padre em rave de perdição,
Sai-nos agora este Prata, figura embaciada,
Que da Junta fez toca, guarida envergonhada.
Oh, estratega do nada! Camaleão do disfarce!
Que só se move quando o medo o enlace.
Mas ai! Não vem só que o susto é tamanho
Que traz pulseira azul, gravata de estranho.
Une-se ao CDS e ao Liberal mirrado,
Num trio de siglas sem corpo nem fado.
Durante o seu reinado, perdão, sonolência —
Deu à Guarda o dom da total indiferença.
Foi sinal tapado, foi sombra no chão,
Houdini político, mago da omissão.
Eis que desperta, qual múmia vaidosa,
Com promessas bordadas em fala pomposa:
“Devolverei a auto-estima!” brada ao ar,
Mas esqueceu-se de primeiro a conquistar.
Diálogo, diz ele, palavra de almanaque!
Mas se até hoje só dialogou com o traque!
Quer regenerar a praça, veja-se bem,
Quando em 4 anos só lavou a cara a 2 fornos e um cemitério!
E o mais curioso, senhores e senhoras,
É que vem a votos com três bengalas sonhadoras:
PSD, CDS, e esse tal de IL,
Três almofadas rotas sem papel.
Prata, valente! Mas só com cinto e colete.
Não vá a cidade dar-lhe bilhete.
Coliga-se ao centro, à direita e ao pó,
Na esperança que um deles valha por só.
Guarda-te, Guarda! Que vem aí o ausente,
Que fez da Junta um convento decadente.
Traz hinos de praça, de verbo e loucura,
Mas apresenta-se, claro... num hotel.
Pois até a candidatura tem medo da rua.
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#GuardaComOlhosAbertos #JoãoDasSombras
